Como falar sobre sexo com os filhos

Uma das grandes dúvidas da maternidade e paternidade: como abordar o assunto com as crianças e adolescentes?

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Quando temos filhos, uma conversa inevitável é a sobre sexo e sexualidade. A dificuldade que pais e mães têm sobre como falar sobre sexo com os filhos é discutida desde os primórdios. A forma como você aborda o assunto com seu filho é o que vai definir como seguirá essa conversa, não apenas na infância como também durante a puberdade.

“É difícil para nós falarmos sobre isso porque a nossa geração não teve essa conversa. Mas é importante passarmos essas informações para as crianças para que cresçam sabendo o que é consentimento e limites”, aponta a sexóloga Daniela Fontinele ao ser procurada pelo portal Metrópoles.

Como falar sobre sexo com os filhos pequenos?

Ainda crianças, é comum que surja a pergunta, principalmente com relação ao nascimento. Perguntas como “de onde vêm os bebês?” ou “como eu nasci?” fazem parte da curiosidade da infância.

Se seu filho pequeno perguntar abertamente sobre o nascimento, evite mentiras. Você não precisa explicar o que é sexo e como ele funciona, mas não conte metáforas como a da cegonha ou do “presentinho”.

Prefira uma abordagem menos direta, mas conte a verdade. Você pode falar que o papai e a mamãe se apaixonaram e viveram uma noite juntos, onde o papai plantou uma semente na mamãe, por exemplo. É importante usar uma linguagem que a criança vai entender, do contrário ela pode continuar fazendo perguntas que você não vai saber como responder.

As perguntas sobre a reprodução humana ou sobre as diferenças entre corpos de meninos e meninas pode ser facilmente respondida com a ajuda de um atlas infantil sobre o corpo humano. Esses livros ensinam, de maneira simplificada, o que são o pênis e a vagina e como nascem os bebês, sem demonstrar qualquer conteúdo erótico para crianças.

Nessa idade, as crianças memorizam melhor o que é lúdico ou fantástico, por isso uma boa ideia é ter em mãos livros e desenhos voltados ao público infantil, caso você não saiba exatamente como responder de um jeito que seu filho entenda.

O que fazer quando meu filho descobrir seus genitais?

Durante a infância ainda não temos conhecimento de como funciona o nosso corpo, por isso as crianças tendem a ter uma enorme curiosidade ao perceber os genitais. Um garotinho pode ficar realmente confuso com o funcionamento do pênis, por exemplo, e questionar os pais sobre isso. Uma criança pode ficar curiosa sobre sua própria vagina.

Se seu filho questionar o que são suas genitais, aproveite para explicar um pouco sobre consentimento e região íntima. Isso é educação sexual básica: você deve ensinar que ninguém pode tocá-los nessas regiões sem permissão, nem mesmo a mamãe ou o papai.

Uma relação de confiança entre pais e filhos pode ser formada a partir da educação sexual e dos ensinamentos sobre consentimento. Use a linguagem da criança, você pode chamar de “pintinho”, “perereca” ou derivados mais comuns para crianças, o importante é ela entender que não deve ser exposta ou tocada naquelas áreas, e nem que deve aceitar tocar nas genitais de adultos ou outras crianças.

como falar sobre sexo com os filhos

Como responder as perguntas do meu filho na puberdade ou adolescência?

Já crescidos, as crianças começam a ter contato com os próprios genitais de forma sexual e não apenas fisiológica. É nessa idade que os meninos podem ter a primeira ereção e as meninas podem ter a menarca, nome dado para a primeira menstruação.

É nessa hora que deve haver uma conversa franca sobre sexo e sexualidade. Os tabus devem ser deixados de lado, uma vez que as crianças irão entrar em contato com esse assunto mais cedo ou mais tarde. Elas podem ver estímulos sexuais na televisão ou entrar em contato com a pornografia sozinhas, portanto, é muito melhor se a primeira conversa vier de você, assim os pais podem controlar o fluxo de quais informações chegam nos filhos.

Não use mais nomes infantis para a região íntima, chame de seios, vagina, vulva, pênis, glande. Explique que o sexo é algo natural dos seres humanos, em especial os adultos, e que é uma coisa prazerosa que não deve ser temida. Enfatize que, embora natural, o sexo só deve ser feito com consentimento e quando seu filho estiver mais velho e preparado, mas que é normal ficar excitado, por exemplo.

Fale sem rodeios sobre como evitar gravidez, sobre as infecções sexualmente transmissíveis e sobre contraceptivos. Quando menos preconceito houver na conversa, mais o adolescente vai entender que o sexo é um assunto que não precisa ser evitado em casa. Nessa idade, você já deve ter a noção de como falar sobre sexo com os filhos de uma maneira que eles não evitem o assunto e perguntas.

Crescer sem informações sobre a vida sexual é a causa de muitas frustrações durante a vida adulta. Você não vai ensinar seu filho a como fazer sexo, apenas fornecer informações para que ele não cresça desinformado e desprotegido.

Falar sobre sexo é papel dos pais ou da escola?

Muitas vezes crescemos com o pensamento de que a educação sexual vai ensinar as crianças a transarem na escola, o que é uma mentira terrível. Segundo os dados do Disque 100, o canal brasileiro para denúncias de violência contra os direitos humanos, apenas esse ano foram relatadas 53,8 mil denúncias pelo telefone envolvendo 240.996 violações.

Esse ano, um caso em específico chamou atenção: nove estudantes da cidade de Campo Limpo denunciaram abusos que sofriam, após assistir a uma semana de palestras de conscientização e educação sexual na escola. As crianças têm de 5 a 15 anos de idade.

Por esse motivo, você não deve ter medo da educação sexual nas escolas. Ela é necessária, junto à sua conversa em casa, para conscientizar e ensinar a criança a identificar um abuso. Infelizmente, segundo o Disque 100, a maioria dos casos de abuso são cometidos por pessoas próximas ou até pela própria família. Esse dado é ainda mais assustador ao descobrirmos que apenas 10% dos casos de violência sexual são denunciados. Crianças tendem a guardar segredos, seja porque o abusador pediu, porque estão sendo ameaçadas ou porque não entendem o que está acontecendo.

O que é mais importante para você: proteger seu filho de uma violência sexual ou ceder ao silêncio por medo de uma suposta imoralidade?

E se meu filho não quiser conversar comigo?

Por medo de serem julgados ou por vergonha do assunto, os adolescentes costumam fugir quando pais tentam abordar a temática do sexo. Isso pode causar um certo desconforto e até mesmo brigas, mas não se preocupe: o seu papel é ensinar, não insistir. Se seu filho evita falar sobre o assunto, deve ser porque vocês não construíram uma relação de confiança a esse ponto.

Portanto, a melhor saída é ir atrás dessa construção. Mostre para seu filho que você não vai julgá-lo, que ele pode fazer perguntas e que você está ali para ajudar. Adolescentes têm esse receio porque costumam achar que os pais vão se meter em suas vidas ou julgar as escolhas que deram. Mostre que ele está seguro ao confiar em você.

Se por acaso seu filho estiver com alguma ideia errada ou informação dúbia sobre sexo, não brigue com ele. Ensine. Mostre o porquê aquela informação não é verdade e explique que dúvidas e erros são naturais.

Sexo é educação, saúde e confiança

Manter um canal de diálogo aberto com seus filhos vai fazer com que sua relação com eles tenha muito mais confiança e respeito mútuo. Se for uma criança, ela vai crescer já com noções de consentimento e aprendendo a reconhecer uma violência sexual. Se for um adolescente, mesmo que ele ache “zoado”, ele vai saber como se prevenir, se proteger e vai te agradecer no futuro.

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